Apneia do sono: sintomas, riscos e quando procurar tratamento

Dormir parece simples, mas para muitas pessoas é uma luta silenciosa – e, em vários casos, isso se deve à apneia do sono. Essa é uma condição em que a respiração da pessoa para subitamente durante a noite de forma repetida. O resultado é um sono fragmentado que prejudica o corpo e a mente, mesmo que não se perceba.

Entenda essa condição, os sintomas de apneia do sono, suas causas, riscos e quando buscar avaliação com um especialista.

Apneia do sono: o que é, sintomas e mais

A apneia do sono é um distúrbio respiratório que ocorre enquanto a pessoa dorme. Durante esse momento, há uma interrupção da passagem de ar (de forma parcial ou completa) em episódios que podem se repetir dezenas de vezes por noite. Cada interrupção ativa uma resposta de alerta no cérebro que acorda o organismo brevemente para retomar a respiração. Esse ciclo constante cria um sono não reparador, impedindo o descanso total.

Essa condição tem dois tipos principais. A apneia obstrutiva do sono (AOS) é a mais comum e ocorre quando os músculos da garganta relaxam a ponto de bloquear a passagem de ar. Já a apneia central é menos frequente e está relacionada a falhas nos sinais que o cérebro envia aos músculos responsáveis pela respiração.

A doença pode afetar tanto adultos quanto crianças. Estima-se que aproximadamente 1 bilhão de pessoas entre 30 e 69 anos no mundo tenham algum grau de apneia obstrutiva do sono.

Causas da apneia do sono

Na apneia obstrutiva, a forma mais comum, o problema está nas vias aéreas superiores. Durante o sono, os músculos da garganta relaxam e estreitam ou bloqueiam o caminho do ar. Nesse contexto, alguns fatores aumentam o risco de desenvolver a condição, como:

  • Excesso de peso ou obesidade;
  • Amígdalas ou adenoides aumentadas;
  • Obstrução nasal no sono (como desvio de septo ou rinite), que dificulta a respiração pelo nariz durante a noite;
  • Histórico familiar de apneia do sono;
  • Envelhecimento;
  • Gênero (masculino) e idade (acima de 50 anos);
  • Uso de álcool ou sedativos (que relaxam ainda mais a musculatura da garganta).

Nesse contexto, a obstrução nasal no sono merece atenção especial. Isso porque quando o nariz está bloqueado, a tendência é respirar pela boca, favorecendo o colapso das vias aéreas. Por isso, condições como rinite e desvio de septo tem associação frequente com a apneia – e tratá-las pode fazer grande diferença no controle do quadro.

Apneia do sono: sintomas

Os sintomas de apneia do sono podem ser percebidos pela própria pessoa ou por quem dorme ao lado dela. O ronco alto e frequente é o sinal mais conhecido, mas não é o único. Outros sintomas comuns incluem:

  • Parar de respirar dormindo;
  • Acordar engasgando ou com sensação de falta de ar;
  • Sono não reparador (cansaço ao acordar);
  • Dores de cabeça ao levantar;
  • Dificuldade de concentração e irritabilidade;
  • Boca seca ao acordar;
  • Acordar repetidamente durante a noite.

Sinais de alerta que pedem atenção

Alguns sinais indicam necessidade de buscar atendimento médico o quanto antes por riscos de complicações. São eles:

  • Ronco muito alto e frequente;
  • Relatos de parada respiratória durante o sono;
  • Sonolência intensa ao longo do dia, mesmo após muitas horas dormindo;
  • Engasgos noturnos;
  • Cansaço persistente sem causa aparente.

Diagnóstico

O diagnóstico da apneia do sono começa pela avaliação clínica. Nela, o médico investiga os sintomas, o histórico de saúde e, quando necessário, pede exames específicos. Nesse contexto, o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico é a polissonografia.

Esse exame monitora o sono do paciente em ambiente hospitalar ou, em alguns casos, em casa. Nesse contexto, avalia-se a frequência cardíaca, a respiração, os níveis de oxigênio no sangue, as ondas cerebrais e os padrões de movimento. Com esses dados, é possível confirmar o diagnóstico, classificar a gravidade e orientar o tratamento mais adequado.

A gravidade da apneia é medida pelo índice de apneia/hipopneia (IAH), que indica o número médio de interrupções respiratórias por hora de sono:

  • Apneia leve: 5 a 14 eventos por hora;
  • Apneia moderada: 15 a 29 eventos por hora;
  • Apneia grave: 30 ou mais eventos por hora.

Aqui, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, há mais chances de controlar os sintomas e prevenir complicações (como hipertensão, arritmias cardíacas e alterações metabólicas).

Tratamento

O tratamento para apneia do sono depende da gravidade da condição, das causas e das características de cada paciente. Por isso, a abordagem é sempre individualizada, e as opções incluem desde mudanças de hábitos até dispositivos e procedimentos cirúrgicos. Veja opções abaixo:

CPAP (Continuous Positive Airway Pressure)

A sigla CPAP significa, em tradução livre, pressão positiva contínua nas vias aéreas, e designa um tratamento usado para apneia de moderada a grave. Por meio de uma máscara que se conecta a um aparelho, o dispositivo mantém as vias aéreas abertas durante o sono, impedindo o colapso.

O uso regular desse dispositivo reduz o ronco, melhora a qualidade do sono e reduz riscos cardiovasculares associados à condição.

Outras abordagens clínicas

Para casos mais leves ou até em complemento ao CPAP, outras medidas podem ser uma opção. Entre elas, é possível citar:

  • Dispositivos intraorais (como placas mandibulares) que reposicionam a mandíbula e a língua para manter a via aérea aberta;
  • Mudanças no estilo de vida, como perda de peso, evitar álcool à noite e ajustar a posição para dormir;
  • Tratamento das causas de dificuldade para dormir relacionadas à obstrução nasal, como a rinite e o desvio de septo.

Cirurgia para apneia do sono

Em alguns pacientes, a cirurgia para apneia é a melhor alternativa. Isso ocorre quando existe uma causa estrutural identificável, como hipertrofia das amígdalas, desvio de septo nasal ou outras alterações anatômicas das vias aéreas superiores.

Nesse contexto, o otorrinolaringologista é o especialista ideal para avaliar essas situações. Com atuação clínica e cirúrgica, ele pode identificar exatamente o motivo da obstrução e propor um tratamento cirúrgico assertivo – muitas vezes, minimamente invasivo.

Nesse contexto, é importante frisar que a apneia do sono tem tratamento, e a escolha da abordagem certa começa com uma avaliação especializada. Se você reconhece os sintomas descritos aqui, busque um otorrino ou especialista em sono para investigar as causas, indicar os exames necessários e propor o tratamento que mais se adeque ao seu caso.

Quanto antes o diagnóstico, melhor o prognóstico.

Dra. Aline Farizato – Otorrino especialista em sono em Jundiaí

A Dra. Aline Farizato é otorrinolaringologista e especialista em sono em Jundiaí, com atuação clínica e cirúrgica. Com título de especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e atualização contínua em medicina do sono, ela trata ronco, apneia do sono e obstrução das vias aéreas em adultos e crianças.

Para pacientes com indicação cirúrgica, o tratamento para apneia em Jundiaí inclui cirurgia do sono em São Paulo e região, realizada em hospitais de referência com técnicas minimamente invasivas e foco em segurança e recuperação rápida.

Mais sobre apneia do sono

Os sintomas mais frequentes incluem:

  • Ronco alto persistente;
  • Episódios de parar de respirar dormindo;
  • Acordar engasgado ou com falta de ar;
  • Sono não reparador;
  • Cansaço ao acordar;
  • Sonolência excessiva durante o dia;
  • Dores de cabeça matinais;
  • Irritabilidade.

Cabe lembrar que nem todos os sintomas precisam estar presentes ao mesmo tempo para que a condição exista.

Não. Embora ronco e apneia sejam condições relacionadas, roncar não significa necessariamente ter apneia do sono. O ronco acontece quando há vibração das estruturas da garganta durante o sono, e isso pode ter diversas causas (como obstrução nasal, posição ao dormir ou alterações anatômicas).

A apneia, por outro lado, envolve paradas reais na respiração – algo que pode ter o ronco frequente e intenso como um dos sinais de alerta para investigação.

Busque avaliação médica se você ronca com frequência, acorda cansado mesmo após dormir por muitas horas, sente sonolência intensa durante o dia, se você acorda engasgando à noite ou se alguém relatou que você para de respirar dormindo. Isso porque esses sinais indicam que algo está interferindo na qualidade do sono – e, quanto antes se investigar isso, melhor o prognóstico.

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